"Percorri toda essa trajetória e até agora não cheguei a lugar algum.
Sim, acredite, eu mudei muito. Descobri dentro de mim mesma, uma pessoa muito paciente, muito esperançosa muito corajosa, muito guerreira. Mas chega um ponto que as forças acabam, o corpo pede descanso e a mente já não funciona.
Meu coração já não aguenta mais bater, as lágrimas já não chegam aos meus olhos, e minhas pernas não sustentam mais o meu corpo. Isso tudo porque aquela mensagem de "eu te amo" não chegou aos meus ouvidos, esse tempo todo. "
Anne Martins

domingo, 9 de agosto de 2009

Pai

Lembro como se fosse hoje, dos dias que você saia pela porta da frente apenas com duas certezas: nos deixaria com saudade e nos teria de braços abertos te esperando de volta.
Foi assim durante toda minha vida, homem de viagens, tive que me acostumar com as suas ausências, seis meses/ um anos/ até mesmo dois anos fora de casa. Muitos aniversários, Natais, Reveillóns...e apenas uma coisa... um lugar vazio dentro de casa.
Lembro como se fosse hoje, de algumas vezes que você se foi e eu fiquei em casa chorando, algumas vezes até adoecia.
Lembro como se fosse hoje, daqueles ultimos beijos de despedida, e aquele nó na garganta ao te dizer: "tchau, pai".
Lembro como se fosse hoje, de todos os telefonemas em que eu prendia o choro para a minha mãe não perceber que eu não me aguentava mais de saudade.
Lembro como se fosse hoje, de quando você chegava de surpresa em casa durante a madrugada, e me acordava com beijos, abraços e muitos presentes, ou até mesmo quando eu abria a porta com o tocar da camainha e me deparava com você parado à minha frente, dava impulso e me jogava nos seus braços.
Lembro das aulas que eu perdi para ficar ao seu lado em todos os navios pelos quais você passou, das cartinhas de despedida, daqueles pedidos inconvenientes bem no horário do tele-jornal e até mesmo da insistência para poder ir ao parquinho no final da tarde....todos os dias em que você estava em casa.
Lembro de todas as broncas, todos os castigos, todos os pedidos de desculpas, todas as briguinhas..
Pra falar a verdade eu lembro de tudo.
E só tenho à agradecer, agradecer por você ser esse pai maravilhoso, amigo e companheiro apesar da distância.
Queria agradecer por todo esse esforço que você fez e ainda faz para me dar uma vida confortável, queria agradecer por todo o amor e todo o carinho que você me deu, todas as broncas e os "não's", queria agradecer por tudo.
Peço desculpas por não ser exatamente como estava no roteiro, não ser exatamente como você queria...por ser dotada de defeitos e algumas qualidades, por bater de frente com você quando me é necessário.

O que eu queria mesmo era te dizer um EU TE AMO, e te desejar um feliz dia dos pais.
Ausente, como muitos outros, mas sempre presente em meu pensamento.

Pai, eu te amo.

Um comentário:

Rebecca Garcez. disse...

saudade de passar aqui!